Tomar aspirina dobra o risco de cegueira em idosos

Idosos que tomam aspirina têm o dobro do risco de desenvolver DMRI, dizem os pesquisadores

 

Um novo estudo, publicado no JAMA Internal Medicine, encontrou uma ligação entre o uso regular da aspirina e o desenvolvimento da degeneração macular (DMRI): a causa mais comum de perda de visão em pessoas com mais de 55 anos.

A relação, segundo os pesquisadores, não poderia ser explicada por uma história de doença cardíaca ou de tabagismo, que são fatores de risco já conhecidos para a DMRI.

No mundo todo, milhões de pacientes cardíacos tomam diariamente doses baixas de aspirina, segundo ordens médicas, para afastar um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral, enquanto outros que não foram ainda diagnosticados com doenças cardiovasculares tomam o medicamento visando a prevenção dessas doenças.

Pesquisas recentes também sugerem que uma baixa dosagem de aspirina ingerida regularmente reduz o risco de morrer de uma gama de cânceres comuns.

Os pesquisadores da Austrália, autores do novo estudo, dizem que ainda não há “provas suficientes” para recomendar que os pacientes parem de tomar a aspirina para os fins descritos, embora alguns devam ser advertidos sobre o perigo potencial de desenvolver DMRI, se eles já apresentam a doença em um olho.

A forma úmida da condição, causada por vazamento de vasos sanguíneos nos olhos, leva à perda de visão central. A forma seca, mais comum e menos grave, também provoca deficiência visual.

Uma doença grave

Cerca de cinco milhões de brasileiros, são portadores da DMRI em pelo menos um olho e ainda não contamos com um tratamento preventivo para a doença, embora a cirurgia a laser e os medicamentos possam limitar os danos causados ​​pela doença.

O novo estudo comparou as taxas de DMRI úmida entre os mais de 2.000 usuários regulares e não regulares de aspirina durante um período de 15 anos. O uso regular foi definido como tomar aspirina uma vez ou mais por semana. Entre os não usuários regulares, as taxas da forma úmida da doença subiram 0,8% em cinco anos, 1,6% em 10 anos e 3,7% em 15 anos. As taxas correspondentes para os usuários que usam aspirina regularmente foram de 1,9%, 7,0% e 9,3%.

Os pesquisadores descobriram que os usuários de aspirina – independentemente de sua saúde cardíaca ou história de tabagismo – estavam em maior risco de desenvolver o tipo mais grave da doença, a forma úmida.

Segundo os autores do estudo, no momento, não há evidências suficientes para recomendar mudanças na prática clínica, imediatamente, exceto para os pacientes com fatores de risco para DMRI, que devem ser alertados sobre o risco de desenvolver a doença devido à terapia de longo prazo com o uso da aspirina.

“São necessárias mais pesquisas antes que os pacientes sejam aconselhados a mudar o status quo de seus tratamentos. Qualquer decisão de interromper o tratamento e o uso da aspirina é complexa e deve ser feita de acordo com as particularidades de cada paciente”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion (CRM-SP 13.454), diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

“Pesquisas anteriores já haviam sugerido uma ligação entre o desenvolvimento de DMRI e o uso regular de aspirina. Isto significa que pode haver uma ligação direta causal, mas não é possível confirmar esta hipótese atualmente”, diz o oftalmologista Juan Caballero, (CRM-SP 63.017), que também integra o corpo clínico do IMO.

Para Caballero, no entanto, “é importante não ignorar esses sinais de dano potencial ou efeitos colaterais que os medicamentos podem causar, principalmente quando estamos lidando com a DMRI, uma doença ainda sem cura, grave e que tem um tratamento oneroso para o paciente”.

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