Entenda como a arritmia cardíaca eleva o risco de AVC

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Fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca que atinge cerca de 1,5 milhão de pessoas no país, está entre as principais causas de acidente vascular cerebral isquêmico

O Brasil é o país com um dos índices epidemiológicos mais expressivos em número de mortes por acidente vascular cerebral (AVC) na América Latina, com mais de 129 mil casos todos os anos. Uma das principais causas deste problema é a fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca que atinge cerca de 1,5 milhão de pessoas no país. No entanto, de acordo com uma pesquisa realizada com 7.000 pessoas em oito capitais brasileiras pela Bayer com o apoio da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), menos de 4% dos brasileiros conseguem relacionar esta condição à ocorrência de um derrame cerebral.

Os AVCs causados por fibrilação atrial comprometem de forma significativa a vida e a qualidade de vida, além de representar um importante ônus da saúde pública. Este tipo de arritmia cardíaca é um forte fator de risco independente para acidente vascular cerebral e pode ser a causa direta em até um em cada cinco AVCs isquêmicos (aqueles causados pela obstrução da circulação sanguínea no cérebro). “Hoje, podemos afirmar que, de modo geral, as pessoas não estão informadas sobre a arritmia cardíaca, sendo um de seus tipos mais comuns a fibrilação atrial, uma das principais causas de AVC isquêmico”, afirma o cardiologista do HCor, em São Paulo, Dr. Ricardo Pavanello.

Os pacientes com fibrilação atrial têm cinco vezes mais probabilidade de ter um AVC em comparação com a população em geral e, além disso, a fibrilação atrial não diagnosticada previamente é uma causa provável de muitos derrames de origem desconhecida. As pessoas que têm AVC decorrente de fibrilação atrial têm um comprometimento cerebral mais extenso e mais sequelas do que aqueles que têm AVC causado por outros motivos.

Sabe-se que o risco de acidente vascular cerebral em pacientes com fibrilação atrial aumenta com a idade e com a adição de outros fatores de risco (por exemplo, a pressão arterial alta, acidente vascular cerebral anterior e diabetes). Na pesquisa, 71% dos entrevistados disseram não saber o que é fibrilação atrial e apenas 16% dos entrevistados souberam relacioná-la a um tipo de arritmia cardíaca.

Os pacientes com fibrilação atrial que têm múltiplas doenças associadas apresentam maior risco de acidente vascular cerebral e representam a população mais difícil de proteger. Além disso, os derrames cerebrais relacionados com esse tipo de arritmia são mais graves, causando incapacidade em mais da metade dos pacientes, com uma mortalidade associada de até 25% no primeiro mês após o AVC e um resultado pior do que derrames em pacientes sem a fibrilação atrial. “As consequências de um derrame afetam tanto o paciente, como também seus familiares e cuidadores. A maioria das pessoas que sobrevivem necessita de ajuda e tratamento por longo prazo”, afirma o cardiologista. “Por isso é tão fundamental que a população tome consciência sobre os cuidados com a saúde e a prevenção de acidentes vasculares cerebrais”, resume o especialista.
Diagnóstico e tratamento podem evitar consequências graves

Detectar a existência de algo anormal em relação aos batimentos cardíacos é relativamente simples. “É possível indicar o autoexame do pulso, que pode ser feito pelo paciente para ajudá-lo a identificar uma anormalidade no ritmo cardíaco. Esta anormalidade percebida no pulso pode estar relacionada à fibrilação atrial, sobretudo nos indivíduos acima de 70 anos. Já os médicos conseguem fazer o diagnóstico com exames simples como a checagem do pulso e a auscultação cardíaca, podendo confirmá-lo por meio de um eletrocardiograma de repouso”, revela o Dr. Ricardo Pavanello.

Alguns fatores que contribuem para o surgimento da fibrilação atrial – como a genética e o processo natural do envelhecimento – não podem ser modificados. No contexto atual do tratamento da fibrilação atrial, diferentes estratégias podem ser utilizadas para o controle do ritmo e/ou frequência cardíaca. Por outro lado, de acordo com o posicionamento da Sociedade Europeia de Cardiologia (European Society of Cardiology) e também com as Diretrizes Brasileiras de Cardiologia sobre Fibrilação Atrial, apenas a terapêutica anticoagulante demonstrou ser capaz de reduzir a mortalidade relacionada à fibrilação atrial. Sendo assim, o uso do tratamento anticoagulante é fundamental em pacientes que já tenham desenvolvido esse tipo de arritmia para evitar suas complicações (como o AVC).

O tratamento anticoagulante tradicional feito com antagonistas da vitamina K, como a varfarina, é sabidamente eficaz, porém, com várias complexidades que dificultam a extensão da proteção anticoagulante a todos os pacientes que necessitam desse tratamento. Dentre as limitações conhecidas dos anticoagulantes tradicionais, destacam-se as múltiplas interações alimentares e medicamentosas, bem como a necessidade de monitoração laboratorial constante da coagulação.

Recentemente, novas opções de tratamento estão ajudando  a amenizar o ônus pessoal, clínico e econômico do derrame, além de ampliar a utilização e aderência ao tratamento. Dentre as mais recentes opções no arsenal anticoagulante, a rivaroxabana é um novo anticoagulante oral aprovado no Brasil para a redução do risco de AVC e embolia sistêmica em pacientes com fibrilação atrial.  Como  benefícios advindos dessa nova terapêutica, destaca-se  o baixo risco de interações medicamentosas, ausência de restrições alimentares e não necessidade de monitoramento da coagulação sanguínea, considerações importantes para que o tratamento seja mantido por um longo período. Esse agente possui vantagens adicionais no que diz respeito à segurança, uma vez que se associou a menos complicações hemorrágicas graves, como a hemorragia intracraniana e sangramentos fatais, em relação ao tratamento tradicional (varfarina). O medicamento foi aprovado para essa indicação pela ANVISA, com a dose de 20 mg uma vez ao dia (ou 15 mg uma vez ao dia para pacientes com disfunção renal).

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